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  • UFC Croácia- Vitória de Júnior “Cigano” dos Santos.


    Por Alexandre Freire, advogado e cronista esportivo.

    Destaquei na semana passada que Júnior dos Santos precisava vencer Ben Rothwell para voltar a sonhar com a disputa do título dos pesos pesados do UFC. Afirmei que para conseguir o seu objetivo, Cigano teria de lutar de forma estratégica, golpeando e saindo do alcance das mãos pesadas do norte-americano. Disse ainda que ele deveria evitar o jogo de chão do oponente. Para a alegria da torcida, o nosso compatriota adotou essa tática e venceu de maneira incontestável. Cigano lutou com muita inteligência, aproveitando-se da sua maior velocidade e habilidade no boxe. O atleta de Santa Catarina apresentou grande evolução na movimentação lateral e um excelente condicionamento físico. Com isso, evitou ficar com as costas na grade e não se tornou um alvo fixo, como em lutas anteriores. Dos Santos também demonstrou que estava mais confiante do que na ocasião em que foi derrotado pelo holandês Alistair Overeem.
    Pode parecer um paradoxo, mas apesar do representante do Brasil ter lutado de forma tão eficiente, fiquei pessimista quanto ao seu futuro no UFC. Isso porque Cigano parece ignorar que luta MMA. O ex-campeão está convencido de que o seu poder de nocaute é suficiente para voltar a ser o número um entre os pesados. Ele já declarou isso diversas vezes. Todo mundo sabe, porém, que um atleta de excelência não pode se restringir a única modalidade. O esporte em questão progrediu muito nos últimos anos e vem exigindo cada vez mais que os seus praticantes sejam versáteis. É lógico que todos os lutadores têm maior desenvoltura em uma arte marcial específica e é natural que se sintam mais confortáveis nas suas especialidades. É fundamental, todavia, que não se sintam inseguros em relação às outras.
    Quando Júnior dos Santos foi passar uma temporada nos Estados Unidos para treinar wrestling, acreditei que ele estava disposto a enriquecer o seu jogo. Como ostenta a faixa-preta de jiu-jítsu, Cigano poderia usar a luta olímpica para submeter os rivais no solo. Agindo assim, também se tornaria menos previsível e poderia surpreendê-los. Lamentavelmente, o brasileiro parecer não ter mudado. Ele continua sem tentar derrubar os oponentes e quase não chuta. Forte do jeito que é e como domina a técnica do chute, Júnior poderia fazer isso com maior frequência. Não faz, porque parecer ter medo de ser derrubado. Cigano parece um peixe fora d’água quando é obrigado a ir para o chão. Penso que Júnior dos Santos continuará tendo êxito contra os rivais que aceitem enfrentá-lo na sua zona de conforto. O problema para o catarinense é que os dois melhores atletas da sua divisão não se arriscarão boxeando com ele. Cain Velásquez mostrou que sabe o que deve fazer para anular as suas virtudes. O atual campeão, Fabrício Werdum, já foi derrotado por Júnior dos Santos em 2008, mas como é muito inteligente, certamente, não cometerá os mesmos erros da primeira luta. Por esses motivos, considero que é improvável que Cigano tenha o sucesso de outrora e recupere o cinturão.
     



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